domingo, 22 de abril de 2012

Kassab joga holofote no 'Voto de FARDA'

Duas iniciativas da administração Gilberto Kassab (PSD) na Prefeitura de São Paulo colocaram os militares em voga novamente no cenário político municipal e vão fomentar a disputa pelo voto de farda nas eleições de outubro. E não só entre os candidatos a prefeito. Sinal disso, é que dois ex-comandantes da Polícia Militar estão cotados para vereador. A nomeação de coronéis da reserva para comandar 30 das 31 subprefeituras e a assinatura da Operação Delegada, convênio entre Município e Estado que autoriza policiais a trabalhar em horário de folga, não só agradaram a corporação como aproximaram Kassab e seus aliados da PM. 'O comentário geral é que a tropa gosta muito da Operação Delegada. Não sei como vai ser nas eleições, mas agrada a todo mundo', diz o coronel Marcos Chaves, do Comando de Policiamento da Capital (CPC). A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM, cabo Wilson Morais. No entanto, ele diz que a entidade não definiu que candidato vai apoiar para a Prefeitura. De olho nos PMs satisfeitos com Kassab, até os pré-candidatos de oposição elogiam a Operação Delegada, apelidada de bico oficial. Em paralelo, militares que pretendem se lançar a vereador também a usam como bandeira de campanha. Sem contar os votos de familiares e amigos dos policiais, estão em jogo na capital paulista quase 30 mil votos - número estimado do efetivo da PM que trabalha na cidade e pode fazer o bico oficial. 'Acho ótima e sou favorável. Tem que ampliar para Polícia Civil e também valorizar a Guarda Civil Metropolitana', diz o deputado Gabriel Chalita (PMDB). 'É um mecanismo interessante a ser explorado. Mas não precisa desmotivar a GCM', diz o petista Fernando Haddad. O discurso é semelhante ao do presidente do sindicato da GCM, Carlos Augusto Sousa Silva, pré-candidato a vereador do PT. Opositor de Kassab e José Serra (PSDB), ele diz que participar da Delegada agradaria a GCM. Uma proposta de bico oficial para os Guardas espera votação na Câmara Municipal. O convênio da Delegada termina em novembro. Pelo contrato, policiais são autorizados a fazer bico para a Prefeitura em horário de folga - para particulares é proibido. Patrulham ruas em grupos fardados e têm benefícios trabalhistas e pagamento extra. 'Vamos dar força para a Operação Delegada. Tem um papel complementar ao da GCM, que também é muito importante', diz Serra, que era governador quando o convênio foi assinado. Câmara. Dada como certas, as candidaturas a vereador dos coronéis Álvaro Batista Camilo (PSD), ex-comandante-geral da PM, e Paulo Telhada (PSDB), ex-comandante da Rota, testarão a influência deles sobre a tropa, mesmo depois de aposentados. Camilo ainda não confirma a candidatura. Telhada, sim. 'De zero a dez, a chance é nove', diz Kassab, sobre a possibilidade de Camilo disputar a eleição. A aproximação começou com a indicação de coronéis para subprefeituras - para tentar blindar a corrupção nas unidades. A nomeação é criticada por opositores e pré-candidatos de PT e PMDB. Desde 2008, já são 101 militares da reserva só na Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Fora do expediente, os coronéis podem virar cabos eleitorais de Kassab. 'Como pessoa, a gente tem liberdade para indicar alguém para um amigo, em favor de algum candidato ou outro', afirma o subprefeito da Sé, coronel Nevoral Alves Bucheroni, que administra a mesma região há dois anos e seis meses. 'Como subprefeito, não posso fazer campanha para ninguém. Mas se estou filiado ao PSD e tem um candidato do partido, é lógico que, quando puder, numa reunião com amigos, vou indicar. Mas não é nada dirigido ou orquestrado.'
Fonte: Blog Amigo Cipeiro das Guardas Municipais.
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