domingo, 3 de junho de 2012

Cracolândia: 72% dos moradores de rua dizem que vida não mudou com operação




Por ARTUR RODRIGUES
Boa parte dos moradores de rua da região central de São Paulo acha que de nada adiantou a operação da Polícia Militar na cracolândia. Pesquisa inédita da Secretaria Municipal de Assistência Social, obtida com exclusividade pelo Estado, revela que 72,3% deles afirmam que a intervenção policial - que completa cinco meses hoje - não mudou suas vidas. Outros 17,2% acreditam que a situação piorou - sobretudo por causa da violência dos agentes de segurança - e o restante vê progresso ou não respondeu.
A pesquisa foi feita com uma amostra de 380 pessoas, retirada do grupo de 6.675 pessoas que moram nas ruas e não são atendidos pelos albergues da Prefeitura. O estudo foi realizado de janeiro a março por pesquisadores da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.
Entre os moradores de rua que presenciaram a ação, 14,2% disseram ter sofrido alguma agressão policial. E 23,5% criticaram a investida da PM porque, segundo eles, a cracolândia apenas mudou de endereço.
Novo mapa. Em rondas pelo centro, o Estado confirmou que, em vez de lotarem as Ruas Helvétia e Dino Bueno, onde em dezembro censo da Prefeitura contou 743 pessoas, usuários de drogas agora se concentram na Rua dos Gusmões. Na nova geografia da cracolândia, moradores de rua e viciados não se misturam mais, como acontecia até o fim de 2011. Catadores de papelão que costumavam dormir na área agora tomada pelo crack migraram para os quarteirões perto do Elevado Costa e Silva, o Minhocão. Eles relatam que os policiais militares os confundiam com os chamados 'noias'.
Essa segregação é apontada como a principal consequência positiva da operação para os 10,5% dos entrevistados que aprovaram a ação. Eles destacaram também a diminuição da oferta de crack. 'Como tem menos droga, fumo menos', confirmou Robson da Silva, de 29 anos.
Fora do centro, a operação continua a causar discussão. Para a defensora pública Daniela Skromov, é uma ação 'apenas de limpeza, que não deu certo'. O prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmou que 'se avançou muito', mas reconhece que há muito por fazer. O Ministério Público ameaça ir à Justiça para contestar a operação, sob argumento de que tráfico e consumo persistem na região mesmo com a PM.
Enquanto isso, o Complexo Prates - espaço de 11 mil m² construído pela Prefeitura para tratar os viciados - atende uma média de 180 pessoas por dia, 15% de sua capacidade. 
Fonte:www.estadão.com.br
COLABORARAM ADRIANA FERRAZ e DIEGO ZANCHETTA
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