sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Após confronto, moradores da favela do Moinho montam barricada

Os moradores da favela do Moinho, na região central de São Paulo, montaram uma barricada com carros e sofás velhos na entrada da comunidade, no início da tarde desta sexta-feira (21).
Por volta das 13h30, cerca de 60 guardas civis estavam no local, mas não havia confronto. Ao menos 80 barracos da favela foram destruídos em um incêndio na segunda-feira (17). Cerca de 300 pessoas ficaram desabrigadas. A comunidade fica na rua Doutor Elias Chaves, sob o viaduto Engenheiro Orlando Gurgel.
Na noite de ontem, moradores e guardas civis ficaram feridos após protestos. A confusão teria começado quando homens da GCM (Guarda Civil Metropolitana) tentaram impedir que moradores construíssem novos barracos na área atingida pelo fogo.
Moradores do Moinho fazem barricada com carcaças de carros e sofás para impedir evitar entrada da GCM
Moradores do Moinho fazem barricada com carcaças de carros e sofás para impedir evitar entrada da GCMFoto:Apu Gomes/Folhapress
Os moradores, que acusam os guardas de truculência, revidaram com paus e pedras. "O pessoal estava tentando reconstruir umas casas e a prefeitura não deixou, pois há risco de placas de concreto caírem do viaduto [Orlando Murgel, interditado após o incêndio]. Aí o pessoal se revoltou e apedrejou nossos carros. Três guardas ficaram feridos com pedradas e foram encaminhados para hospitais", disse Jovelino Eduardo Junior.
A GCM usou bombas de efeito moral, gás de pimenta e balas de borracha para conter o protesto. Ao menos cinco moradores mostraram à reportagem ferimentos pelo corpo. "Fui apaziguar a briga e os guardas me empurraram, deram um tiro na minha perna e jogaram uma bomba no meu pé", disse a moradora Alessandra Moja Cunha, 28.
Após confronto, moradores e guardas civis conversam em baixo do viaduto Orlando Murgel, na favela do Moinho
Após confronto, moradores e guardas civis conversam em baixo do viaduto Orlando Murgel, na favela do Moinho
Foto: Fabio Braga/Folhapress
Segundo os moradores, um homem conhecido como Carioca foi baleado com dois tiros na perna e precisou ser encaminhado ao pronto-socorro da Barra Funda.
A GCM diz que não foram usadas armas de fogo. A Polícia Militar, inclusive homens da Tropa de Choque, foi acionada, mas não chegou a se envolver no confronto. A polícia disse que um representante da GCM foi ao hospital para checar o estado de saúde do homem baleado.
Muro
Na noite de ontem, os moradores também fecharam a entrada da favela pela rua Elias Chaves com móveis velhos e carroças. O líder comunitário Humberto José Marques Rocha disse que prefeitura estava tentando isolar uma área ao redor do viaduto maior do que o necessário. Os moradores temem que sejam colocados tapumes para a construção de um muro definitivo.
A GCM informou que precisava entrar no local para fazer uma vistoria de segurança, mas fez um acordo para evitar conflitos. "Fizemos um acordo verbal para que os moradores não construam nada e a gente não vai tentar entrar enquanto o acordo for cumprido", disse o guarda Adenilson Moreira Santos.
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